Presente da cozinha – fudge super fácil de caramelo, chocolate e flor de sal

IMG_4554

Outro dia minha amiga Paula Simões me apareceu com esses fudges.

Provei um pedacinho e me apaixonei – caramelo, chocolate e sal, na minha opinião, é a combinação mais espetacular que já foi criada na confeitaria. Infelizmente eu bobeei e quando fui procurar onde estavam os docinhos eles já tinham todos desaparecido, e eu fiquei pensando que aquela deliciosidade devia dar o maior trampo pra fazer e chorei um pouquinho por dentro.

Dias depois pedi a receita prazamiga, apenas por curiosidade.

Para a minha felicidade azamiga não é boba nem nada – achou a receita de doce mais fácil de toda a rede mundial de computadores, mais conhecida como internets. Talvez até a receita mais fácil do mundo.

E nesses tempos de vacas magras, esses fudges embalados numa bela lata servem de presente de natal pra qualquer ente querido que aprecie um bom doce.

Fudges de caramelo, chocolate e flor de sal super fáceis (adaptados daqui) – rende 24 unidades

  • 500g de chocolate branco picado
  • 1 lata de leite condensado cozido na pressão por 40 minutos, ou o equivalente em doce de leite pronto (395g)
  • 150g de chocolate meio amargo picado
  • 30g de manteiga sem sal
  • flor de sal a gosto

Forre com papel alumínio uma forma quadrada de 20cm. Numa tigela resistente ao calor, derreta o chocolate branco no microondas em intervalos de 30 segundos, na potencia média. Junte o doce de leite e uma pitada gordinha de flor de sal e misture bem até ficar homogêneo. Vai se formar uma pasta pesada. Passe a mistura para a forma forrada e espalhe com as mãos.

Derreta o chocolate amargo com a manteiga no microondas em intervalos de 30 segundos, potencia média. Quando ficar brilhante e homogêneo, espalhe sobre a primeira mistura de doce de leite. Polvilhe com mais flor de sal, a gosto.

Deixe endurecer em temperatura ambiente (vai levar umas 6 horas) e corte em pedacinhos. Pode também endurecer na geladeira, mas quando tirar pode acontecer de se formarem gotinhas de água na superficie.

Para aumentar a durabilidade, substitua essa cobertura por chocolate temperado.

IMG_4595

 

 

Let’s waffle it – waffles de fubá

waffles

Tenho usado demais minha máquina de waffle – já testei com pão de queijo caseiro, pão de queijo congelado do supermercado,  massa de cookie, sanduíche de presunto e queijo, massa de pão crua, cinammon roll, massa de bolo e até para esquentar waffle congelado comprado pronto.

Nem tudo é um sucesso, admito, mas tem algo de irresistível em fazer uma coisa que demoraria 40 minutos no forno ficar pronta em 10 – e ainda sair toda quadriculada e crocante e quentinha e pronta pra comer.

Crente que eu era a única no mundo, achei esse colega aqui:

Nesse espírito de fazer tudo na vida virar um delicioso waffle a inspiração bateu outro dia quando achei um saquinho de fubá mimoso (adoro esse nome) na despensa. Waffles de fubá, porque não? A receitinha deu certo de primeira – pra quem gosta de waffles mais crocantes deixe na máquina até dourar bem. Servi acompanhado de uma compotinha de morangos, mel e manteiga, mas imagino que deva ficar melhor ainda com uma geléia de goiaba e um requeijãozinho.

Waffle de Fubá Mimoso (rende 6 waffles)

  • 1/2 xícara de fubá mimoso
  • 1/2 xícara de farinha de trigo
  • 2 colheres de chá de fermento em pó
  • 1 colher de café de sal
  • 3 colheres de sopa de açúcar refinado
  • 1 ovo
  • 3 colheres de sopa de óleo de canola
  • 1/2 xícara de leite
  • gotinhas de essencia de baunilha (opcional)

Lique a máquina de waffle e pincele com manteiga.

Numa tigela média, misture todos os ingredientes secos (fubá, farinha, fermento, sal e açúcar). Faça um buraco no meio da mistura e junte o ovo, óleo, leite e baunilha. Misture com um fuet até ficar homogêneo.

Coloque a massa às colheradas na máquina já bem quente e vá vigiando para não queimar. Coloque os waffles já prontos sobre uma grade e sirva quentinhos. Se sobrar ou quiser fazer a mais eles podem ser congelados e aquecidos numa torradeira ou na própria maquininha.

IMG_0101

 

 

Hmmmm, rosquinhas … – donuts assados com açúcar e canela

donuts

Eu tenho um sonho na vida que é o seguinte: ganhar na Mega Sena e entrar numa daquelas lojas de material para confeitaria enormes dos Estados Unidos. Não adianta comprar pela internet, eu queria ir lá, na loja física, pegar um carrinho e brincar de programa Supermarket.

Infelizmente esse dia ainda não chegou, então a gente vai comprando uma coisinha aqui, outra ali, tipo colecionando figurinhas da copa. Só que são formas e utensílios. E não dá pra colar num álbum, você tem que ocupar todos os espaços disponíveis da sua casa pra essa coleção. E não vou entrar num debate inútil sobre a utilidade e frequencia de uso desses objetos. Me deixem.

Na minha última viagem acabou vindo parar na minha mala uma linda forma para donuts assados – eu bem que tentei não comprar, mas quando você começa a refletir se realmente precisa daquilo acaba chegando à conclusão de que não precisa de coisa nenhuma e pronto, acaba a graça da vida. E ir aos Estados Unidos é um eterno olhar para todas as coisas e pensar COMO EU PUDE VIVER SEM ISSO ATÉ HOJE. Faz parte da imersão na cultura local. Me deixem again.

O caso é que a forma tava aí, quase um ano depois do retorno, ainda virjona. Sempre reluto um pouco de colocar aqui no blog receitas que precisam de utensílios difíceis de encontrar, mas né, eu precisava justificar essa compra, e vocês que são meus amigos vão ter que compreender e não me xingar nos comentários.

Tenho duas soluções para vocês no caso de alguém querer muito fazer essa receita e não ter a forma especial: a primeira é usar mini forminhas de pudim com buraco no meio. Já fiz isso para uma festa com tema Simpsons uma vez, com uns pães de mel em forma de rosquinhas. A outra é mandar o formato às favas e assar em forminhas de mini cupcake, o que eu fiz aproveitando uma parte da massa desses aqui. Fica tipo um bolinho de chuva, o que também não é má idéia.

Donuts assados com açúcar e canela – 12 unidades (adaptado daqui)

  • 1/4 de xícara (57g) de manteiga sem sal, temperatura ambiente
  • 1/4 de xícara de óleo vegetal (canola ou girassol)
  • 1/2 xícara (100g) de açúcar refinado
  • 1/3 xícara (70g) de açúcar mascavo
  • 2 ovos grandes
  • 1 1/2 colheres de chá de fermento em pó
  • 1/4 colher de chá de bicarbonato
  • 1/2 colher de chá de noz moscada ralada na hora
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
  • 2 2/3 xicaras (320g) de farinha d etrigo
  • 1 xícara (250ml) de leite

 

Unte com manteiga derretida duas formas especiais para donuts ou uma forma para mini cupcakes de 24 cavidades. Preaqueça o forno a 210 graus.

Numa tigela, misture a farinha, fermento, bicarbonato, noz moscada e sal. Reserve.

Na batedeira: bata a manteiga, o óleo e os dois tipos de açúcar. Junte os ovos e bata até ficar homogêneo. Acrescente a mistura de farinha alternando com o leite e misture até ficar uma massa lisa.

Com a ajuda de uma colher ou de um saco de confeitar, encha as cavidades das formas até completar 3/4 da capacidade. Leve ao forno por aproximadamente 10 minutos (no meu forno deu 10 minutos certinho), até passar no teste do palito.

Espere uns 5 minutos para desenformar e passe ainda mordos por uma mistura de açúcar e canela. Termine de esfriar sobre uma grade.

São melhores se consumidos nas primeiras horas depois de feitos (ficam com um crocantinho que parece fritura), mas duram até 3 dias guardaos em recipiente com tampa, fora da geladeira.

baked doughnuts

As profissões mais importantes do mundo – mousse de chocolate da Simone

IMG_4240

Tenho uma amiga, produtora de TV, que namorava um médico. Muitas vezes ela tinha de trabalhar aos finais de semana, ou à noite, e o namorado médico ficava zangadíssimo, sem entender porque ela tinha que dedicar tanto tempo a uma profissão tão sem importância. E a coitada nem conseguia se defender direito, porque ele logo tirava da manga a cartada fatal: enquanto ela estava se matando para fazer programinhas de TV ele estava por aí SALVANDO VIDAS.

Claro que o namoro não teve futuro, porque né, que cara chato. Mas enfim.

Ontem, conversando com a minha amiga Simone Izumi, chocolatière de primeira linha (vocês já conhecem o blog dela né? Senão CORRÃO lá agora) cheguei à conclusão que ela está ali ó, pescoço a pescoço com os doutores. Veja: o que seria do mundo sem o chocolate gente? Às vezes só ele salva, e isso é fato sacramentado pela ciência, não sou eu que estou falando não.

E a mousse de chocolate da Izumi, minha gente, é salvadora de qualquer TPM e tristeza corriqueira porque, além de deliciosa, é fácil e rapidinha de fazer. A receita vem do livro dela, Loucuras de Chocolate, uma das melhores obras brasileiras que você vai encontrar nas prateleiras de gastronomia das livrarias.

Mousse de Chocolate (receita reproduzida do delicioso Loucuras de Chocolate, de Simone Izumi)

Rendimento: 6 porções

Ingredientes:

  • 270g de chocolate amargo ou meio amargo
  • 120g de manteiga
  • 75g de gema peneirada (gema de 5 ovos médios)
  • 195g de clara (clara de 5 ovos médios)
  • 90g de açúcar
  • Cacau em pó para polvilhar

Modo de fazer:

Derreta o chocolate meio amargp e a manteiga em banho-maria ou na potência média do micro-ondas por cerca de 2min30s ou até que esteja completamente derretido. Adicione as gemas peneiradas e bata bem com um fuet, até que a mistura fique homogênea.

Bata as claras em ponto de neve. Sem parar de bater, adicione aos poucos o açúcar. Com isso pronto, adicione cerca de 1/~3 desse merengue na mistura de chocolate e gema. Misture até incorporar bem, só então adicione o restante do merengue. Quando a mistura estiver homogênea, despeje em um refratário e leve para gelar por cerca de duas horas. Polvilhe cacau em pó antes de servir.

IMG_4301

 

Fim de férias (thank god) – pudim de pão de mel

pudim de pão de mel

 

Poucas coisas na vida exigem mais imaginação do que férias escolares de criança pequena. Adoraria poder passar o mês de julho num lindo hotel fazenda cheinho de monitores ou ir pra praia o mês inteiro, mas infelizmente esse ano não deu.

Foi gostoso passar bastante tempo com a menininha, inventando passeios e descobrindo a cidade, mas teve também muito malabarismo, já que eu estava tentando trabalhar no meio disso tudo. Criança não quer nem saber – como disse uma pessoa sábia no twitter que eu não lembro quem era, mesmo se uma mãe estiver carregando um hipopótamo nas costas e um gorila em cada mão os filhos ainda ainda vão falar “MÃE, SEGURA MINHAS COISAS PRA MIM”, jogar tudo em cima dela e sair correndo.

Enfim, hoje foi o primeiro dia de aula do segundo semestre e estou aqui aproveitando o silêncio e uma fatia desse pudim, bem devagarinho. Se você é mãe sabe bem do que estou falando, acho que você deveria correr pra cozinha e fazer um também. Você merece.

Essa receita foi inventada na intenção de recriar um pudim de pão que minha mãe fazia, mas não deixou a receita no caderninho. Acabei sendo criativa demais e no fim ficou nada a ver com o dela (risos), porém delicioso, não muito doce e com o sabor marcante das especiarias. Caso não curta alguma delas pode omitir sem problemas.

E falando em receitas da mamãe, o pessoal da revista Casa e Comida está com uma promoção bem legal. O Prêmio Receitas de Família vai eleger os melhores pratos criados pelos leitores – ou herdados daquele parente prendado. Os vencedores ganham uma viagem de 5 dias a Salvador, com direito a acompanhante, além de terem suas receitas publicadas na revista. Para participar consulte o link. As inscrições vão até dia 31 de agosto.

Pudim de Pão de Mel

  • 1/4 de xícara de açúcar cristal ou refinado (PARA CARAMELIZAR A FORMA ***NÃO COLOQUE NA RECEITA***)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 medida da lata de leite integral (mais ou menos 400ml)
  • 2 pãezinhos franceses amanhecidos, cortado em pedacinhos
  • 1 colher de sopa de chocolate em pó 50% de cacau
  • 1 colher de chá de canela em pó
  • 1/2 colher de chá de cravo em pó
  • 1/2 colher de chá de noz moscada ralada
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 3 ovos

 

Coloque o pão de molho no leite e preaqueça o forno a 190 graus. Prepare uma assadeira grande com água quente para o banho-maria.

Numa forma para pudim pequena (a minha tinha 16cm de diâmetro por 8 de altura), coloque o açúcar e leve diretamente ao bico do fogão para caramelizar. Não esqueça de usar luvas longas, já que a forma vai esquentar e o caramelo quente é MUITO perigoso, queima feio. Quando estiver com aquela cor âmbar característica de caramelo, retire do fogo e vá virando a forma para caramelizar o fundo e as laterais.  Se você acha que não tem prática suficiente para queimar o açúcar direto na forma, dá também para fazer a mesma coisa numa panelinha e depois transferir o caramelo – sempre de luvas. Deixe esfriar.

Bata no liquificador o restante dos ingredientes. Transfira para a forma preparada e cubra com papel aluminio. Asse em banho-maria por mais ou menos 1 hora, ou até firmar. Deixe esfriar e coloque na geladeira por pelo menos 6 horas. Para desenformar, passe uma faca pelas laterais da forma para soltar o pudim. Se estiver difícil de sair, coloque a forma direto sobre o fogo por alguns segundos para derreter um pouco a calda, e vire num prato grande.

 

Receitas de Família – bolo preguiçoso de laranja

bolo de laranja

Aqui em casa tenho uma boa quantidade de livros de receita – não tantos quanto alguns amigos blogueiros (alô Pat, alô VH!), mas com certeza mais que pessoas normais que não trabalham com cozinha.

Às vezes eu olho pra estante e penso que talvez se fizesse uma receita por dia pro resto da minha vida talvez eu conseguisse experimentar tudo que tem ali. Pra compensar o dinheiro que gastei com eles, né? Quem sabe um dia não me inspiro e mando um Julie e Julia nos livro tudo.

O problema é a preguiça.

Quando a preguiça domina nada mais me resta senão voltar para as origens e abraçar forte o conforto das receitinhas do caderno da mamãe. Quase tudo ali é fácil e rápido, sob medida para a mãe de 3 que trabalhava fora, e uma ou outra receita mais elaborada/chic/anos 80 (e pavês, muitos pavês).

Esse bolo de laranja estava meio escondido num canto de página. Sob o nome Bolo de Laranja Jô só uma lista de ingredientes e um modo de fazer meio mal explicado (dizia apenas bater tudo no liquidificador e assar), mas eu me lembrava dele muito bem, assado em tabuleiro retangular e cortado em losangos. A Jô eu não me lembro quem era, mas agradeço pela receita.

Me lembro que a laranja era batida no liquidificador com casca e tudo, e o bolo às vezes ficava com um leve amargor. Como não curto muito o sabor amargo em doces dei uma adaptada na receita – ele ficou bem fofinho, com um sabor suave de laranja, aquele bolo que abraça a gente pelo estômago.

Bolo Preguiçoso de Laranja

  • 3 ovos extra
  • 1 xícara de óleo de milho ou girassol
  • raspas da casca de uma laranja
  • 2 laranjas sem casca e sem sementes, cortada em pedaços
  • 300g (1 e 1/2 xícara) de açúcar refinado
  • 325g (2 e 1/2 xícara) de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Calda:

  • 200g (1 xícara)  de açúcar de confeiteiro
  • 2 colheres de sopa de suco de laranja
  • raspas de laranja (opcional)

Unte e polvilhe com farinha de trigo uma forma de buraco no meio (25cm de diâmetro) ou retangular de 20X30cm. Aqueça o forno a 180 graus.

Numa tigela grande misture a farinha de trigo e o fermento. Reserve.

Bata no liquidificador os ovos, óleo, raspas, laranjas e o açúcar até virar um creme liso. Passe essa mistura para a tigela com a farinha de trigo e misture muito bem com um fouet ou espátula, até ficar homogêneo. Passe para a forma preparada e asse por mais ou menos 40 minutos, ou até passar no teste do palito (na forma de furo no meio demora mais).

Desenforme morno.

Prepare a calda misturando todos os ingredientes numa tigela média e coloque sobre o bolo ainda morno. Se ficar muito grossa coloque mais suco, se ficar muito liquida coloque mais açúcar.

Sirva frio (minha vó falava que bolo quente dá dor de barriga).

bolo preguiçoso de laranja

Sobre futebol, derrotas e um bolo de morango pra consolar

Bolo de Morango

Entento pouquíssimo de futebol. Faz anos que parei de assistir os jogos do meu time. Fui a um estádio ver jogos duas vezes na vida, um deles para ver a seleção brasileira ganhar numa eliminatória de Copa do Mundo.

Então, com o perdão de vocês que vem aqui pra ver as receitas, hoje eu vou dar meus dois centavos sobre o assunto.

Essa Copa do Mundo foi cheia de emoções contraditórias, desde o começo. Passou por uma alegria inicial pela escolha do Brasil para a sede, aí foi chegando mais perto e as pessoas foram se tocando da grandiosidade do evento. Em alguns bateu um medo de ser um fiasco, já que tantas coisas geridas pelo poder público são um fiasco. Daí todo mundo foi pra rua protestar, porque olhava pros estádios novos e pensava que com aquele dinheiro dava pra construir não sei quantos hospitais (ou ir não sei quantas vezes pra Orlando fazer compras). Daí os gringos começaram a chegar e todo mundo adora uma festa, ainda mais cheia de gringos – é como viajar sem sair do lugar – e todo mundo ficou alegre de novo. Daí começou a Copa e todos vestiram suas camisas amarelo canarinho com muito orgulho, com muito amor e pararam suas vidas, porque quiseram ou foram obrigados pelas circunstâncias.

Aí teve ontem.

Eu, que não ligo muito pra futebol, decidi assistir ao jogo (aquele-que-não-deve-ser-nomeado) sozinha em casa mesmo.

E começaram os gols do adversário, sem parar, concretizando o que deve ser o pior pesadelo de cada um daqueles meninos que estavam jogando. Enquanto eu sentia pena deles começaram a pipocar na minha timeline do facebook as primeiras piadas (é o jeitinho brasileiro de lidar com a dor, fazer piada em velório, e eu sou super a favor), mas também voltaram os textos de revolta, de que nesse país nada funciona mesmo, de que o povo é malandro e desonesto e não gosta de trabalhar, que a Alemanha sim é um exemplo de país, de que a culpa é da presidente, etc etc etc

Eu, de minha parte, me sinto pessoalmente ofendida e ligeiramente confusa quando começa essa espiral de complexo de vira-latice. Ué, vocês não são brasileiros também? Não são o povo? Então vocês são desonestos e não gostam de trabalhar? Ou estão falando que eu, que sou brasileira, sou vagabunda? E o que o cu tem a ver com as calças? Como um jogo de futebol pode ser responsável por definir (ou validar) mais de 200 milhões de pessoas? Até entendo isso fazer algum sentido em 1950 – tempos mais ingênuos mas também quando era ok ser preconceituoso, mas hoje em dia eu esperava um pouco mais de reflexão.

Enfim, hoje eu acordei assim, chateada porque o time de futebol do Brasil perdeu de lavada e porque tanta gente acha que essa derrota assina embaixo e carimba em três vias o documento de escrotidão que é ser brasileiro.

Se eu pudesse, levaria um bolinho de morango pros jogadores, tadinhos, que além de terem perdido por 7 a 1 ainda tem que carregar nos ombros os escombros das expectativas confusas de um monte de gente por aí.

Bolo de Morangos (do site da tia Martha Stewart)

  • 85g de manteiga sem sal, temperatura ambiente
  • 200g (1 e 1/2 xícara) de farinha de trigo
  • 1 1/2 de chá de fermento em pó
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 200g (1 xícara) de açúcar), mais 2 colheres de sopa para polvilhar o bolo
  • 1 ovo grande
  • 1/2 xícara de leite
  • 1colher de chá de extrato ou essência de baunilha
  • 1 caixinha de morangos (400g), sem as folhinhas e cortados ao meio no sentido do comprimento

Unte e polvilhe com farinha de trigo uma forma refratária redonda de 25cm. Aqueça o forno a 180 graus. Peneira juntos a farinha, fermento e sal.

Bata na batedeira o açúcar e a manteiga até ficar clarinho. Junte o ovo e bata até ficar um creme fofo. Junte o leite e a baunilha e bata para combinar. Com a batedeira no mínimo, vá colocando a mistura de farinha aos poucos e bata somente até ficar homogêneo.

Transfira a mistura para a forma preparada, alise a massa e distribua as metades de morangos bem próximas umas das outras. Polvilhe com as duas colheres de açúcar e deixe assar por 10 minutos. Abaixe a temperatura para 170 graus e asse até dourar e passar no teste do palito – mais ou menos uma hora.

Sirva morno ou em temperatura ambiente.

fatia de bolo de morango

Pipoca doce caramelada (sem pipoqueira)

IMG_3989

 

Outro dia fui comprar um saquinho de pipoca na porta da escola da filha e, já com o saquinho na mão, perguntei quanto era, caçando as moedinhas dentro da bolsa. A resposta: CINCO REAIS SINHÓRA.

Oi? Cinco reais por um saquinho de pipoca murcha? Os pipoqueiros agora passam cartão de crédito? A pipoca é “gourmet”?

Ontem mesmo fui almoçar com uma amiga numa ~boulangerie~ chic na Vila Madalena. Pedi um crepe com salada de rúcula, nada baratinho. Quando o prato chegou, SURPRESA! O crepe meio borrachento e a salada de rúcula era uma mini cumbuquinha com cerca de 8 folhas pequenas e umas raspinhas de queijo. Cerca não, eram 8 mesmo, porque eu contei.

Olha gente, não sei se eu tô ficando velha, se é a copa do mundo ou se é o fim dos tempos mas se vão me enfiar a faca pra comer alguma coisa (nada contra) tem que ser uma delícia maravilhosa acompanhada de uma salada com uma quantidade de folhas que eu não consiga contar a olho nu.

Por isso que eu tô preferindo fazer as coisas em casa mesmo que ganho mais. E pra você também nunca mais depender do pipoqueiro ladrão, vai aí minha receita de pipoca doce – se quiser botar aquele corantinho vermelho pra ficar mais realista vai fundo.

Pipoca Doce Caramelada (sem pipoqueira)

Essa pipoca não tem muita receita, e eu faço meio de olho mesmo igual minha mãe me ensinou. Pra facilitar medi tudo da última vez que fiz pra poder publicar aqui. Se quiser pode colocar uma colherona cheia de achocolatado junto com o açúcar para ficar com o sabor trash da infância.

  • 4 colheres de sopa de óleo
  • 1 xícara de café de milho de pipoca
  • 1/2 xícara de açúcar (pode ser refinado, cristal ou demerara)
  • 1 pitada gorda de sal

Numa panela antiaderente bem grandona coloque o óleo e o milho. Tampe e estoure a pipoca normalmente em fogo médio.

Quando a pipoca tiver estourado completamente coloque o açúcar e o sal – se a panela estiver muito cheia tire um pouco da pipoca antes. Quando o açúcar começar a derreter abaixe o fogo e misture com uma colher de pau para envolver as pipocas no caramelo.  Essa parte é rápida e não pode bobear, se o caramelo ficar muito escuro a pipoca fica amarga – preste atenção, porque o açúcar continua cozinhando um tempo depois que a gente desliga o fogo.

Coloque a pipoca numa assadeira grande ou numa tigela resistente ao calor e termine de espalhar o caramelo com uma espátula ou colher de pau – CUIDADO PARA NÃO SE QUEIMAR, caramelo é um perigo.

Deixe esfriar, sirva e dê uma banana pro pipoqueiro.IMG_3975

 

Crème Brûlée – receita para o solitário (ou egoísta)

IMG_3898

 

O amor por essa receita já começou bandido – dei de cara com ela num livro de receitas que estava folheando numa livraria. O nome da receita: CRÈME BRÛLÉE FOR ONE.

O livro era lindo, cheio de fotos maravilhosas, mas… Custava carésimo e eu estava dura.

Eu precisava desse crème brûlée. Precisava. Ele seria só pra mim.  No amor e na gula guerra, dizem, vale tudo.

Eram só 5 ingredientes. Li a receita umas 10 vezes tentando decorar. Saí correndo da livraria e anotei tudo atrás de um papelzinho que estava na minha bolsa. Me senti meio criminosa, afinal tinha roubado uma receita ali na cara de todo mundo, em plena luz do dia.

Ontem, dia de folga, foi o dia do encontro clandestino com meu pessoal e intransferível crème brûlée. Pena que durou pouco, já estou com saudades.

 

IMG_3925

 

Crème Brûlée para 1 pessoa – do lindíssimo livro Paris Pastry Club, que um dia certamente comprarei.

  • 100g de creme de leite fresco
  • meia fava de baunilha
  • 2 gemas
  • 1 colher de sopa de açúcar refinado
  • açúcar demerara para caramelizar

Aqueça o forno a 150 graus e aqueça água para o banho-maria.

Numa panelinha pequena misture o creme de leite e as sementinhas da baunilha. Coloque também a fava e leve ao fogo para aquecer, mas não deixe ferver.

Numa tigela pequena misture bem com um fouet as gemas e o açúcar refinado. Despeje sobre as gemas o creme quente misturando sem parar até ficar uniforme. Transfira a mistura para uma tigelinha refratária. Cubra com papel alumínio e coloque numa assadeira com bordas altas. Coloque a água quente na assadeira até chegar na metade da tigelinha refratária. Leve ao forno por 40 minutos, até firmar nas bordas.

Deixe esfriar e leve para gelar por algumas horas (o meu eu coloquei no freezer por motivos de impaciência).

Polvilhe uma camada fina de açúcar demerara por cima do creme e queime com um maçarico, ou coloque no grill do forno até caramelizar.

Desligue o celular, sente no sofá com uma mantinha, coloque um filme bacana (pode até ser Amèlie Poulan, porque não?) e saboreie vagarosamente sem contar pra ninguém.

 

IMG_3956

Cinnamon Rolls

cinnamon roll

Outro dia eu estava aqui pensando se as outras pessoas “normais” também fazem isso – eu e as minhas amigas conversamos sobre um monte de coisas, mas conversamos muito, mas muito mesmo, sobre comida. Especialmente minha querida amiga Maria Pia, que alegra meus dias trocando fotos de quitutes e receitas futuras comigo, como quem troca figurinhas da Copa.

É um tal de “olha essa receita”, “já comeu isso?”, “conhece esse restaurante?” e uma tarde dessas ela me conta que está fazendo cinnamon rolls.

E o diálogo não é só “Oi miga, tô fazendo cinnamon roll.” Nesses tempos de mensagens instantâneas a coisa fica muito mais cruel, porque vem a foto da receita, imagens da massa crescendo, a descrição do cheirinho da canela pela casa e como agora a miga tá comendo eles quentinhos e eles são docinhos e macios e é impossível comer um só. E também como eles eram tão deliciosos que já acabaram e não deu pra guardar um pra mim.

Não deu. Tive que ir pra cozinha fazer  – e aproveitei pra dar o troco e torturar minha amiga com fotos e descrições. A vingança é um prato que se serve morninho com cheiro de canela (brinks ameega, tinhamo!).

cinnamon rolls

Cinnamon Rolls (rendimento 12 a 15 unidades)

A receita foi ligeiramente adaptada da rainha americana das gordices, Paula Deen, e é super fácil de fazer, principalmente se você sovar a massa na batedeira planetária com o gancho. A parte chata são só os intervalos para a massa crescer. Se joguem.

Para a massa:

  • 1 pacotinho de femento biológico seco (10g)
  • 1/2 xícara de água em temperatura ambiente
  • 50g de açúcar
  • 1/2 xícara de leite em temperatura ambiente
  • 75g de manteiga sem sal, derretida e fria
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 ovo grande ou extra
  • 460g de farinha de trigo

Para o recheio:

  • 100g (1/2 xícara) de manteiga derretida
  • 150g de açúcar
  • 2 colheres de sopa de canela em pó

Para a cobertura:

  • 55g manteiga sem sal
  • 2 xícaras de açúcar de confeiteiro
  • 1/2 colher de chá de baunilha
  • 3-6 colheres de sopa de água quente

 

Comece pela massa: numa tigelinha pequena misture o fermento e a água para dar uma dissolvida. Num bowl grande ou na tigela da batedeira, misture o açúcar, leite, manteiga derretida, sal e ovo. Junte metade da farinha de trigo, misture bem, e junte a água com o fermento. Vá adicionando o restante da farinha aos poucos, até ficar uma massa pegajosa, mas que dá para manipular.

Sove por 10 minutos, à mão ou na batedeira com o gancho para massas pesadas. A massa deverá ficar lisa e não grudar mais nas mãos. Cubra o bowl com plástico filme e deixe crescer até dobrar de volume, mais ou menos 1 a duas horas.

Abaixe a massa com as mãos para tirar o ar. Numa superfície de trabalho polvilhada com farinha de trigo, abra a massa com um rolo, formando um retângulo de mais ou menos 20X40cm. Pincele a manteiga derretida sobre a massa e polvilhe o açúcar misturado com com a canela.

Enrole como um rocambole, bem justo, começando da parte mais comprida. Dê uns beliscões para colar a emenda.

Com uma faca afiada corte em 12 a 15 pedaços e coloque numa assadeira de 20 por 30cm, untada com manteiga e polvilhada com açúcar. Deixe um espaço entre os rolinhos.

Deixe os pãezinhos crescerem por mais 45 minutos e leve para assar em forno aquecido a 180 graus, na grade do meio, por mais ou menos 30 minutos ou até dourarem.

Tire do forno e deixe esfriar um pouco enquanto faz a cobertura: num bowl médio misture a manteiga derretida e o açúcar. Vá adicionando a água quente aos poucos até ficar em ponto de fondant. Cubra os pãezinhos ainda quentes, deixe amornar e sirva.

 

IMG_3876

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.067 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: