tortas

Precisamos conversar sobre a touca + receita de torta de morangos

torta de morango

Essa semana me deu uma vontade muito grande de conversar com vocês sobre um assunto meio mala, então senta que lá vem história.

Sei que não devo, mas muitas vezes acabo caindo naquela armadilha dos tempos modernos que é ler comentários de posts da internete. É igual briga de vizinho, que a gente fica não querendo ouvir mas ouve, sabe? Pois então.

O post em si era um video de uma moça cozinhando e conversando com uma apresentadora. O conteúdo da receita e a identidades dos envolvidos não são a questão, mas sim os comentários sobre a aparência das pessoas e suposta falta de higiene com o preparo daquela comida.

Não é a primeira vez que eu vejo isso em videos de receita: vem um monte de elogios falando ai que delícia e aí chega O/A DIFERENTÃO/DIFERENTONA e manda o NOSSA QUE FALTA DE HIGIENE JAMAIS COMERIA UMA COMIDA FEITA POR ESSA PESSOA QUE ESTÁ SEM TOUCA/LUVAS/MÁSCARA/SNORKEL/BURCA.

Vamos respirar fundo, contar até dez e refletir um pouco sobre isso amiguinhos?

Numa cozinha profissional existem sim algumas exigências de higiene pessoal e itens de proteção. Estes dependem um pouco do que será fabricado, normas da empresa e da legislação local, mas normalmente envolvem um uniforme/avental/dólman que deve ser usado somente no ambiente da cozinha, cabelos presos e protegidos e mãos limpas.

Pergunta: Mas Paula, a pessoa está sem luvas! SEM LUVAS!!! ECA!!!!

Resposta: Ce jura? Pois saiba que o uso de luvas não é necessário nem obrigatório pelas normas da Anvisa/SP desde 2013. Já ouviram falar em água e sabão? Então.

Pergunta: Mas e a máscara? Vai ficar respirando em cima da comida???? ECA!!!!

Resposta: O cozinheiro está doente? Vai usar preparos em pó que podem ser aspirados por ele prejudicando a sua saúde? Vai ficar falando e jogando perdigotos em cima da comida igual você e o pessoal da firma fazem na fila do quilão? Então não precisa de máscara.

Pergunta: Mas ela está usando esmalte!! E brinco!! E maquiagem!!!

Resposta: Ah vá! Será que é porque está num programa de TV/ video da internet para te ensinar umas receitinhas e não numa cozinha profissional? E por acaso tu ia querer aparecer toda cagada feia na TV minha amiga?

Programa de tv/video do YouTube são formas de entretenimento, portanto se a pessoa quiser por no ar um show de culinária com o apresentador fazendo uma pizza de calabresa peladão ele pode, e acho que não vem ao caso questionar boas práticas na produção de alimentos nesse caso né? (QQ foi? Já vimos coisa pior na pizzaria Bate Papo).

E vocês queridos leitores, o que pensam sobre esse assunto? Contem pra gente aí nos comentários!

Agora fiquem com a torta de morangos e de volta à nossa programação normal.

Torta de Morangos com Creme de Baunilha (rende uma torta de 23cm de diâmetro)

Essa torta é aquela classicona da padoca, só que melhor, já que a massa é feita com manteiga e o creme com baunilha em fava.

Massa para torta doce

  • 1 e 1/4 xícara (175g) de farinha de trigo
  • 1/3 de xícara (65g) de açúcar refinado
  • 1/4 colher de chá de sal
  • 115g de manteiga sem sal gelada em pedaços
  • 1 gema de ovo grande
  •  mais ou menos 4 colheres de água gelada

Na batedeira planetária com o batedor de raquete, no processador ou à mão mesmo misture os ingredientes secos. Adicione a manteiga e bata/pulse ou misture com as pontas dos dedos (como se estivesse esfarelando) até formar uma farofa grossa e úmida. Com a batedeira ou processador ligados  junte a gema e em seguida a água gelada aos poucos, até a massa se juntar. Se for à mão faça o mesmo, vá adicionando os líquidos aos pouquinhos somente até a massa se juntar, não pode ficar grudenta nem mole.

Junte a massa num disco e embale em plástico filme. Deixe na geladeira por uns 20 minutos.

Abra a massa com um rolo e forre uma forma para torta canelada com fundo falso de 23 a 25cm de diâmetro, apertando bem as laterais. Corte o excesso com uma faquinha e fure o fundo com um garfo. Leve ao freezer enquanto faz o creme.

Aqueça o forno a 190 graus. Unte uma folha de papel alumínio com spray ou óleo e coloque essa parte untada em contado com a massa da torta. Encha com feijões ou outro grão cru (ou os pesinhos de cerâmica da Claudia) coloque a forma da torta sobre uma assadeira maior (pode vazar manteiga derretida no seu forno!) e asse por 20 minutos. Retire o papel alumínio e os feijões e asse por mais 15 a 20 minutos, até dourar bem.

Crème Pâtissière

  • 2 xícaras (500ml) de leite integral
  • 1 fava de baunilha (ou 2 colheres de chá de extrato)
  • 5 gemas
  • 1/2 xícara (100g)  de açúcar refinado
  • 1/4 de xícara (40g) de farinha de trigo
  • 2 colheres de sopa (28g) de manteiga gelada em pedaços grandes

Numa panela média coloque o leite, as sementinhas e a fava da baunilha (se for usar extrato coloque só no final). Leve ao fogo para aquecer bem, mas não deixe ferver.

Enquanto o leite aquece, bata numa tigela as gemas e o açúcar até ficar bem clarinho. Junte a farinha e misture bem.

Retire a fava do leite. Com a ajuda de uma concha, coloque um pouco do leite quente sobre as gemas e mexa rapidamente com um fouet. Vá colocando o restande do leite nas gemas, mexendo sempre, até ficar homogêneo. Volte a mistura para a panela e leve ao fogo baixo até engrossar, mexendo sempre. Depois que engrossar totalmente continue cozinhando e mexendo o creme por mais 1 ou dois minutos, para que não fique com gosto de farinha crua.

Retire do foto e junte a manteiga gelada, mexendo muito bem até ficar bem sedoso. Passe para uma tigela e cubra com plástico filme aderido à superfície do creme para não formar película. Deixa na geladeira até a hora de usar.

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Montagem/Cobertura

  • 2-3 caixinhas de morangos maduros, lavados, sem folhinhas e cortados ao meio para cobrir a torta
  • 1/2 xícara de morangos (escolha os mais feinhos) picados
  • 1/2 xícara de água
  • 1/4 de xícara de açúcar
  • 2 colheres de chá de amido de milho

Recheie a massa da torta com o creme de baunilha frio. Arrume os morangos sobre o creme e leve à geladeira enquanto faz a calda de brilho: leve os morangos pixados e a agua ao fogo e deixe ferver. Passe tudo numa peneira e volte o suco para a panela. Misture o açúcar e o amido e leve ao fogo até engrossar bem. Tire a torta da geladeira e pincele/despeje essa calda sobre os morangos para dar brilho. Deixe a torta gelar por pelo menos 3 horas antes de desenformar e servir.

 

strawberry tart

Mini Cheesecakes de Oreo

cheesecake de oreo

Começo da História:

Outro dia fui num desses clubes de compras. Para preservar identidades e não citar nomes vamos chamá-lo doravante de Sal’s Glub.

Eu prometi pra mim mesma que só estava indo lá para comprar manteiga, porque é mais barato, vale a economia, que eu não ia comprar nada fora da lista e todas aquelas mentiras que a gente conta pra gente mesma quando vai no Sal’s.

Saí de lá com: 4 panetones, 1 caixa com 20 leites condensados, 1 condicionador tamanho 2 litros, 1 saco de dormir da rainha Elza de Arendelle, 1 pacote com 4 milhões de rolos de papel higiênico do tamanho da minha casa, 4 potes de cream cheese que estava baratérrimo e uns biscoitos de chocolate recheados com creminho branco. Na hora de passar no caixa minha anuidade estava vencida então teve ainda uma adição de uns 65 dinheiros no saldo total.

Quando cheguei em casa vi que esqueci a manteiga.

Fim da História.

Lidei com isso da maneira mais sensata: fiz esses mini cheesecakes de oreo, porque assim aproveitei as ofertas maravilhosas do cream cheese e e dos biscoitos com a desculpa de que tenho que postar receitas deliciosas pra vocês aqui no blog. E ficaram muito bons mesmo viu gente? Achei a receita bem fácil e a idéia do biscoitinho inteiro no fundo tem um fator surpresa que eu curti muito.

 

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Mini Cheesecake de Oreos

inspirada em receita do livro “Cupcakes”, Martha Stewart

rendimento: 18 a 20 unidades

  • 500g de cream cheese em temperatura ambiente
  • 150g de açúcar refinado (3/4 de xícara)
  • 2 ovos grandes ligeiramente batidos
  • 1 colher de chá de extrato ou essencia de baunilha
  • 150g de creme de leite (pode ser fresco, de caixinha ou de lata)
  • 18 a 20 biscoitos recheados tipo negresco ou oreo para colocar no fundo das forminhas e mais 8 unidades picadinhas

Coloque forminhas de cupcake em formas de muffin ou use daquelas durinhas que não precisa de forma (nesse caso coloque sobre uma assadeira). Ponha um biscoito inteiro no fundo de cada forminha. Aqueça o forno a 180 graus.

Bata o cream cheese na batedeira até ficar cremoso. Junte o açúcar aos poucos e bata até ficar um creme uniforme. Junte a baunilha e os ovos aos poucos batendo sem parar e raspando a lateral da tigela se necessário. Quando estiver bem homogêneo junte o creme de leite e bata mais um pouco.

Misture os biscoitos picados à mão mesmo. Distribua esse creme entre as forminhas preparadas, enchendo quase até a boca.

Leve ao forno por aproximadamente 20 minutos, ou até firmar um pouco o creme. Não é para dourar nem para passar no teste do palito: os cheesecakes ainda estarão meio moles, mas ao encostar o dedo em cima não estarão mais líquidos.

Espere esfriar e deixe descansar em geladeira por pelo menos 4 horas ou de um dia pro outro. Sirva geladinho.

mini oreo cheesecake

Receitas com nomes fofos parte I – Amor em pedaços

amor em pedaços

Nas minhas pesquisas de receitas de antigamente sempre me deparo com doces curiosos. Tem  barriga de freira, pé de moça, manezinho araújo, pé de anjo, tabefe. E tem as românticas: beijo de mulata, bem-casados, casadinhos, nuvens, sonhos, e a lista é longa.

Algumas a gente ainda consegue encontrar a história do nome, outras só deus sabe, e o doce de hoje é uma dessas que a lenda se perdeu. Imagino que se chame amor em pedaços porque essas barrinhas são tão deliciosas quanto um pedacinho de amor (perdão pela cafonice). Pode ser também porque descascar e ralar um abacaxi pra fazer um doce pra alguém é uma verdadeira prova de amor, já que a receita é do tempo que os hortifrutis não vendiam as frutas sem casca pro pessoal mais preguiçoso.

Só sei que ficou uma delícia, impossivel comer um só.

Amor em Pedaços

adaptado daqui e daqui

rendimento: 15 pedaços grandes

Recheio

  • 1 abacaxi médio descascado, sem o miolo e cortado em cubinhos pequenos (pode passar levemente no processador se preferir, mas sem deixar virar suco)
  • 1 xícara de açúcar (refinado ou cristal)
  • 3 gemas
  • 1 xícara de coco ralado fresco

Massa

  • 1 xícara de açúcar refinado
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 3 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de café de sal
  • 200g de manteiga sem sal, temperatura ambiente, cortada em pedacinhos.
  • 1 ovo levemente batido

Prepare o recheio com antecedência, já que ele deve ser utilizado frio: numa panela grande coloque todos os ingredientes. Leve ao fogo médio mexendo sempre até secar bem o liquido e virar um doce com consistência de geléia – essa parte demora um pouco, tipo uns 20 a 30 minutos.

Deixe esfriar ou guarde em geladeira ou freezer para utilizar num outro dia.

Prepare a massa: preaqueça o forno a 190 graus. Forre uma assadeira retangular de mais ou menos 20X30cm com papel manteiga.

Numa tigela grande, misture o açúcar, fermento, farinha de trigo e sal. Junte a manteiga picadinha e esfarele com as pontas dos dedos até a farinha ficar amarelada e úmida, lembrando uma farofa. Junte o ovo e continue esfarelando a massa – não trabalhe em excesso, o objetivo é continuar com uma massinha esfarelada e quebradiça.

Distribua metade dessa farofa na assadeira e aperte levemente para forrar o fundo. Espalhe o recheio de abacaxi com a ajuda de uma espátula até quase chegar nas bordinhas. Cubra com o restante da farofinha, desta vez sem apertar.

Leve ao forno por aproximadamente 45 minutos, ou até dourar por cima. Deixe esfriar e corte em pedaços.

Pode ser guardado em recipiente vedado na geladeira por até 1 semana.

barrinhas abacaxi

Adeus 2012 – crumble de nectarina e mirtilos

crumble de nectarina

Lições que 2012 deixou:

– É difícil emagrecer 20 quilos depois dos 30, mas não é impossível;

– A pessoa em quem você mais confia pode ser também a que mais te engana;

– Nem sempre as pombas saem da frente de um carro em movimento;

– Sempre vai ter gente disposta a se vender por uma casa com piscina e um Chiquinho Scarpa way of life;

– É importante sempre se certificar de que a porta do banheiro está bem trancada, principalmente se for um local público e o banheiro for unissex (não perguntem);

– Às vezes a gente acha que não vai segurar a onda, mas acaba segurando;

– Quem tem amigos tem tudo;

– É a coisa mais legal do mundo ver um filho crescendo uma pessoa generosa e sincera, apesar de tudo;

– Dizer não pra gente aproveitadora faz bem pra saúde;

– Os melhores professores nem sempre são os mais famosos, ou os que cobram mais caro;

– Quem ri por último ri melhor.

Pode vir 2013. Um dia de cada vez, um passo depois do outro.

Pra vocês que andaram por aqui, e pra mim também, um ano doce, gostoso e descomplicado como esse crumble da receita, porque a gente merece.

Um beijo, desculpa qualquer coisa e não repara a bagunça!

Gratos pela preferência e voltem sempre.

A Gerência.

Crumble de Nectarinas e Mirtilos (ou de pêssegos) – adaptado daqui

  • 6 ou 7 nectarinas
  • 1 caixinha de mirtilos (opcional, pode usar congelados)
  • 1/2 xícara de açúcar
  • 2 colheres de sopa de amido de milho

Para o crumble

  • 85g de manteiga sem sal, em temperatura ambiente
  • 2 colheres de sopa de açúcar refinado
  • 2 colheres de sopa de açucar mascavo (bem apertado na colher medida)
  • 1 pitada de sal
  • 1 xícara de farinha de trigo

Aqueça o forno a 190 graus. Numa tigela grande, junte a nectarina cortada em gomos (pode cortar em oitavos), sem os caroços, os mirtilos, 1/2 xícara de açúcar e o amido de milho. Misture bem com uma espátula e passe para um refratário quadrado de 20cm (eu só tinha um oval, mas coube direitinho).

Na batedeira, bata a manteiga com os açúcares até ficar cremosinho. Junte o sal e a farinha e misture com a ponta dos dedos até formar uma farofa úmida. Distribua sobre as frutas no refratário e leve ao forno por 40 a 50 minutos, ou até dourar ligeiramente e as frutas borbulhando. Sirva morno ou em temperatura ambiente.

crumble

O que você quer ser quando crescer? – Torta de Maçã Americana

 

Quando criança, o que você queria ser quando crescesse?

Eu particularmente nutria a mais profunda admiração pelas caixas de supermercado, que passavam o dia apertando botões que faziam abrir aquela caixa registradora espetacular e cheia de dinheirinhos (sei que to véia, vocês aí que nasceram nos anos 90 saibam que nem sempre existiu código de barras, ok?).

E tinha também as chacretes, as dançarinas de maiôs brilhantes do programa do Chacrinha (já falei que to véia?).

Pra você que é xóvem e não sabe o que é chacrete:

* Não espere bom gosto de uma criança, ainda mais uma criança dos anos 80, período histórico de menor noção desde que o mundo é mundo. *

Mas infelizmente o programa do Chacrinha acabou, assim como os anos 80 (thank god) e acabei indo para a faculdade de Comunicação Social virar radialista – profissão que foi boa enquanto durou. Os ex-coléga de profissão e mais uma galera acharam super estranho eu ter virado doceira depois disso, mas veja se não estava escrito nas estrelas.

Bate- bola comigo mesma na infância:

– Livro preferido?  Manual da Vovó Donalda.

– Programa preferido? Assistir Ofélia com a minha avó.

– Brincadeira preferida? Fazer biscoitinhos com meu irmão.

– Um sonho? Fazer uma torta de maçã e deixar esfriando na janela.

Um verdadeiro embrião de cozinheira em formação, diz aí?

E olha aí o sonho de infância realizado – muitas e muitas tortas de maçã já saíram da minha cozinha. Só não deixo esfriando na janela porque moro em apartamento, o parapeito é estreito e vai que cai na cabeça de alguém.

E vocês, alguém aí conseguiu virar o que queria ser?

Torta de Maçã Americana da Vovó (rende 1 torta de 20cm de diâmetro)

Fora a parte de descascar e tirar o miolo das maçãs que é meio demorada, é muito fácil fazer esse tipo de torta de frutas, uma vez que ela consiste praticamente da massa e um monte de fruta lá dentro, e vai tudo pro forno de uma vez.

O segredo pra ela ficar bem bonitona é conseguir colocar o máximo de maçãs que der, até formar uma montanha – as frutas vão segurar a massa no lugar até começar a assar e a torta fica alta e não murcha.

Para a Massa Brisée

  • 2 1/2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 1 colher de chá de sal
  • 200g de manteiga gelada, cortada em pedacinhos (sem sal)
  • 1/4 de xícara de água bem gelada (deixe um pouquinho a mais reservado, se precisar)

Para o recheio

  • 6 a 8 maçãs médias  (usei 7 maçãs granny smith) descascadas, sem o miolo e cortadas em fatias de 1 dedo
  • 1/4 de xícara de açúcar
  • 1 colher de chá de canela em pó
  • noz moscada a gosto (opcional)
  • 1 colher de sopa de suco de limão
  • 1 colher de sopa de maizena
  • 30g de manteiga cortada em pedacinhos

Para pincelar

  • 1 gema, misturada com 1 colher de sopa de creme de leite
  • açúcar cristal

Primeiro, faça a massa: No processador, pulse juntos a farinha, açúcar e sal para misturar. Junte os pedacinhos de manteiga gelada, e pulse algumas vezes para obter uma farofa grossa, com pedaços de manteiga maiores (os maiores devem ter o tamanho de ervilhas).  Com o processador ligado, junte a água gelada até a massa se juntar ligeiramente.

Passe para uma superfície de trabalho polvilhada com farinha de trigo e junte delicadamente a massa (vai estar um pouco seca e quebradiça, mas apertando um pouco ela se junta) formando uma bola. Se estiver ainda muito seca e não der pra juntar, espirre um pouquinho mais de água.Essa massa não deve ser amassada nem trabalhada em excesso, senão fica dura. Divida em duas partes e embrulhe em plástico. Deixe descansar na geladeira por 30 minutos. Reserve.

Numa tigela grande, misture as maçãs, açúcar, canela, noz moscada, suco de limão e a maizena com as mãos. Reserve na geladeira enquanto abre a massa.

Separe uma forma para tortas de vidro refratário redonda de 20cm.

Numa superfície de trabalho polvilhada com farinha de trigo, abra um dos discos de massa com o rolo e estique o suficiente para cobrir o fundo e laterais da forma. Ajeite com as mãos – se quebrar é só pressionar para remendar.

Corte a sobra de massa com uma faca ou tesoura e leve a forma forrada de massa ao freezer por 10 minutos.

Prepare a tampa da torta: abra o segundo disco de massa. Coloque o recheio de maçãs sobre o fundo já preparado, formando um monte alto no centro e distribua os pedacinhos de manteiga por cima. Coloque o disco de massa da tampa sobre o recheio pressionando levemente,  sele as laterais com um garfo ou apertando com os dedos para formar um desenho bonitinho.  Faça três furos com uma faca no topo da torta para escapar o vapor. Leve ao freezer por 20 minutos, enquanto aquece o forno a 200 graus.

Coloque a torta sobre uma assadeira forrada com papel manteiga (dá menos trabalho pra lavar depois). Pincele com a mistura de gema e creme de leite e polvilhe com bastante açúcar cristal.

Asse por 20 minutos, até começas a dourar. Reduza o forno para 180 graus e asse por mais uns 40 minutos, até estar bem dourada. Deixe amornar e sirva – a torta é melhor consumida no mesmo dia em que foi feita, porque o recheio começa a amolecer a massa.

Sobre vampiros e southern food – Pecan Pie

Outro dia fui fazer uma visita à minha amiga Lilian Trigo – sempre que a gente se encontra volto pra casa com uma sacolinha cheia de DVDs de séries e filmes que ela acha que vou gostar. Tem como não amar?

Então vocês podem culpar a Lilian pela minha ausência aqui no blog, tá? Ela me emprestou a primeira temporada da série True Blood, e eu simplesmente não consegui fazer outra coisa no meu tempo livre senão assistir a todos os episódios, de todas as quatro temporadas.

Atenção, o texto a seguir contém spoilers!

A história se passa numa micro cidadezinha no sul dos Estados Unidos, onde uma garçonete telepata se apaixona perdidamente por um vampiro de 175 anos. Os vampiros “saíram do caixão” e vivem normalmente na sociedade, já que não precisam mais se alimentar de sangue humano – os japoneses (quem mais?) inventaram um sangue sintético que é vendido em garrafinhas e aquecido em microondas.

Apesar do nonsense do storyline, a caracterização da vida cotidiana da cidade é muito realista, e vira e mexe as personagens estão comendo ou falando da deliciosa cozinha Cajun jambalayas, fritters, panquecas de milho fritas em gordura de bacon e tortas, muitas tortas. E lógico que a gordinha (eu), além de se deliciar com a história já fica com a barriga roncando e a cabeça cheia de idéias.

Exemplo: Num dos episódios, a avó de Sookie, a garçonete telepata, é brutalmente assassinada por um serial killer. Depois do enterro, a mocinha volta pra casa, abre a geladeira, e começa a comer uma torta de pecãs, bem devagar e com lágrimas escorrendo pelo rosto: era a última torta que a avó tinha feito pra ela, uma despedida mais definitiva que o próprio funeral.

Imediatamente fui procurar uma receita para reproduzir a torta da vó da Sookie – não sei se ficou igual, mas ficou deliciosa.

Pecan Pie – adaptada do livro Baking, from my Home to Yours

rende 1 torta de 20cm de diâmetro

Para a massa:

  • 100g de manteiga bem gelada, cortada em cubinhos
  • 1 1/4 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de café de sal
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 3 colheres de sopa de água super gelada (ou um tiquinho a mais, se necessário)

Para o recheio:

  • 3/4 de xícara de glucose de milho (ou mel)
  • 1/4 de xícara de açúcar mascavo
  • 1/4 de xícara de açúcar refinado
  • 3 colheres de sopa de manteiga derretida
  • 3 ovos
  • 1/4 de colher de chá de sal
  • 2 xícaras de nozes pecã

Faça a massa:

Primeiro de tudo, corte a manteiga e deixe no freezer enquanto prepara o restante dos ingredientes.

Coloque no processador a farinha, o sal e o açúcar. Pulse para misturar. Coloque a manteiga, tampe e pulse em intervalos curtos, umas 4 vezes, até a mistura parecer uma farofa grossa, como farinha de milho (os pedaços de manteiga na farinha vão estar do tamanho de ervilhas, não tem problema se tiver alguns pedaços maiores e outros menores).

Deixe a água a postos. Com o processador funcionando na velocidade mais baixa, já adicionando a água pela abertura da tampa até a massa “juntar”, mas sem ficar grudenta nem úmida. Não processe por mais de 30 segundos.

Embrulhe em plástico, apertando para juntar as migalhas soltas e formando um disco, mas sem trabalhar a massa (não queremos derreter a manteiga que deu tanto trabalho para ficar em pedacinhos e vai deixar a massa bem crocante).

Guarde na geladeira por pelo menos 1 hora, ou até 2 dias. Depois desse descanso, abra a massa com um rolo até ficar com aprox. 0,5 cm de espessura. Forre um refretário para torta de 20 cm. Corte as beiradas da massa e arrume bem bonitinho (veja dicas aqui). Fure o fundo com um garfo e coloque no freezer enquanto preaquece o forno a 210 graus, uns 15 minutos.

Faça o recheio:

Numa tigela grande, misture a glucose, o sal e os açúcares. Junte a manteiga derretida e misture bem.

Junte os ovos, um a um, batendo com um fouet ou garfo até incorporar bem. Junte as pecãs e misture.

Coloque o refratário da torta sobre uma assadeira e despeje o recheio. Leve ao forno e asse por 15 minutos. Diminua o forno para 180 graus e asse por mais 25 a 30 minutos, até a massa dourar e o recheio inchar, dourar e não balançar mais.

Deixe esfriar sobre uma grade. Sirva em temperatura ambiente.

Meu lado cafona – barrinhas de limão cravo

Ontem de manhã fui entregar um bolo aqui próximo de casa e vi a Rita Cadillac passeando na rua com seus cachorros.

“E daí? “, me pergunta você. Daí que eu tenho uma confissão a fazer. Estão preparados? Então, segura Berenice: eu sou tiete de celebridades, digamos, populares.

Me coloca um Caetano Veloso, um Paulinho da Viola, uma Fernanda Montenegro na frente que eu nem ligo, mas se um dia eu encontro o Silvio Santos gente, vocês vão ter que me segurar, porque eu vou tirar foto, abraçar e pedir autógrafo.

Não sei como explicar essa admiração, mas acho que vem da infância, daquelas tardes felizes de domingo assistindo Qual é a Música, Chacrinha e Bolinha, com sua eterna e inesquecível Bolete séria, a dançarina que nunca ria. Minha mãe, que era muito PHYNA, desligava a TV, tentava desviar a minha atenção, mas era só ela distrair que lá estava eu de novo, admirando os jurados do Show de Calouros, e rindo a valer da Aracy de Almeida detonando os pobres candidatos a cantor.

E até hoje, quando vejo alguém com a roupa muito larga, lembro daquela brincadeira do Domingo no Parque que as crianças enchiam a roupa de bexigas e o Silvio ia estourando com um alfinete.

Bom, era isso gente, eu precisava desabafar esse meu lado cafona. Agora me sinto bem melhor e podemos falar de novo sobre receitas.

Barrinhas de Limão Cravo (adaptado das barrinhas super azedinhas de limão e limão siciliano da Pat Scarpin) – rende 16 pedaços

Um conselho: se você gosta de sabores azedinhos, FAÇA. Usei uns limões cravo (aqueles cor de laranja, super perfumados) que vieram de um sítio, e o sabor ficou especial – aliás, os limões cravo passaram o limão siciliano na minha escala limonística e agora são os meus preferidos. Dá pra encontrar fácil em bons supermercados e hortifrutis.

Ingredientes para a base de biscoito

½ xícara (113g) de manteiga sem sal, derretida
¼ xícara de açúcar refinado
¾ colher de chá de extrato de baunilha
¼ colher de chá de sal
1 xícara de farinha de trigo

Para a cobertura de limão
1 xícara + 2 colheres de sopa de açúcar refinado
3 colheres  de sopa  de farinha de trigo
3 ovos
raspas da casca de 2 limões cravo (ou 1 limão tahiti e 1 siciliano)
1/2 xícara de suco de limão cravo coado
açúcar de confeiteiro, para polvilhar (opcional)

Pré-aqueça o forno a 180°C. Unte com manteiga uma forma quadrada de 20cm e forre com papel alumínio, deixando uma sobra para fora da forma, como se fossem alças – elas ajudam na hora de desenformar. Unte com manteiga o papel no fundo e nas laterais.

Para a massa:

Em uma tigela, misture a manteiga derretida fria com o açúcar, a baunilha e o sal. Junte a farinha e misture bem – você vai obter uma massinha um pouco mole e oleosa. Passe essa massa para a assadeira preparada e pressione, deixando uniforme e preenchendo toda a superfície.

Pressione esta massa na forma preparada de maneira homogênea, preenchendo todos os cantinhos. Asse por 25 a30 minutos ou até a base assar totalmente, e estar dourada nas bordas.
Para a cobertura:

Enquanto a massa está assando, misture numa tigela média a farinha e o açúcar. Junte os ovos e misture bem. Junte as raspas e o suco de limão.

Quando a base estiver pronta, reduza o forno para 150°C. Derrame a mistura de ovos e limão sobre a massa, sem tirar a forma do forno. Asse por mais 25 minutos ou até firmar e não balançar no centro.
Deixe esfriar sobre uma grade e retire da forma com a ajuda das alças de papel alumínio. Corte os quadrados sobre uma tábua, com uma faca bem afiada, polvilhe açúcar de confeiteiro e sirva.

Se sobrar (o que eu duvido) guarde em geladeira, em recipiente tampado.

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