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As frutas do verão alheio – Torta de Pêssegos e mirtilos (blueberry)

Quando chega o verão do hemisfério norte, eu sempre fico com água na boca aqui no hemisfério sul. Vocês já viram as frutas que eles têm nessa época do ano? Cerejas vermelhas, amarelas e pretas, pêssegos de todos os tipos, amoras, mirtilos, groselhas, abricós, framboesas.

Ok, vai ver eles também tem inveja das nossas bananas, abacaxis, cajus e carambolas, mas eu quase morro de vontade quando vejo as tortas e doces feitos com essas lindas frutinhas gringas. A vontade só não foi maior do que o preço das danadas importadas, que estavam uma facada, ou pela hora da morte, como dizia minha mãe.

Resisti o quanto pude, até que as danadinhas ficaram maduras demais, entraram em liquidação, e finalmente pude fazer minha torta a lá vovó Donalda, de massa trançada, com pêssegos amarelinhos e mirtilos tingindo tudo de roxo. Delícia.

Se você não conseguir encontrar essas frutas e quiser fazer a torta, substitua por morangos, maçãs ou ameixas, que também dá certo.

Só um aparte antes da receita…..

O blog The Cookie Shop está concorrendo ao prêmio Blogbooks e pode virar livro!

A votação está aberta e na primeira etapa quem escolhe os finalistas é o público – para votar é só clicar aqui, ou no ícone do Prêmio Blogbooks que está na barra lateral. Agradeço de antemão!

Torta da Vovó Donalda de Pêssegos e Mirtilos (rende 1 torta de 20cm)

Para a Massa Brisée (adaptada de várias fontes)

  • 2 1/2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 1 colher de chá de sal
  • 200g de manteiga gelada, cortada em pedacinhos (sem sal)
  • 1/4 de xícara de água bem gelada (deixe um pouquinho a mais reservado, se precisar)

Para o recheio de frutas

  • 4 xícaras de pêssegos cortados em fatias médias (corte cada pêssego em 8 partes)
  • 2 xícaras de mirtilos
  • 1 xícara de açúcar
  • 2 colheres de sopa de maizena
  • 30g de manteiga cortada em pedacinhos

Para pincelar

  • 1 gema, misturada com 1 colher de sopa de creme de leite
  • açúcar cristal

Primeiro, faça a massa: No processador, pulse juntos a farinha, açúcar e sal para misturar. Junte os pedacinhos de manteiga gelada, e pulse algumas vezes para obter uma farofa grossa, com pedaços de manteiga maiores (os maiores devem ter o tamanho de ervilhas).  Com o processador ligado, junte a agua até a massa se juntar ligeiramente.

Passe para uma superfície de trabalho polvilhada com farinha de trigo e junte delicadamente a massa (vai estar um pouco seca e quebradiça, mas apertando um pouco ela se junta) formando uma bola. Se estiver ainda muito seca e não der pra juntar, espirre um pouquinho mais de água.Essa massa não deve ser amassada nem trabalhada em excesso, senão fica dura. Divida em duas partes e embrulhe em plástico. Deixe descansar na geladeira por 40minutos. Reserve.

Numa tigela grande, misture as frutas, o açúcar e a maizena com as mãos. Reserve na geladeira enquanto abre a massa.

Separe uma forma para tortas de vidro refratário redonda de 20cm.

Numa superfície de trabalho polvilhada com farinha de trigo, abra um dos discos de massa com o rolo e estique o suficiente para cobrir o fundo e laterais da forma. Ajeite com as mãos – se quebrar é só pressionar para remendar.

Corte a sobra de massa com uma faca ou tesoura e leve a forma forrada de massa ao freezer por 10minutos. Aproveite para ligar o frono e preaquecer a 200º.

Prepare a tampa da torta: abra o segundo disco de massa. Coloque o recheio de frutas sobre o fundo já preparado e distribua os pedacinhos de manteiga sobre ele. Nessa etapa, você pode simplesmente colocar o disco sobre o recheio e pressionar as laterais para vedar bem, e fazer três furinhos com uma faca no topo da torta para escapar o vapor.

Se você for fazer a tampa da torta trançada, achei esse vídeo bem legal da revista Bon Apètit:

Pincele a torta com a mistura de gema e creme de leite e polvilhe com bastante açúcar cristal

Coloque a forma sobre uma assadeira e leve ao forno quente por aproximadamente 45 minutos, ou até dourar bem e o caldinho das frutas estar bem borbulhante. Deixe esfriar sobre uma grade – eu gosto da minha torta morninha, com uma bola de sorvete de creme, mas fria também fica ótima.

Anatomia de um bolinho – um passo a passo de como fazer cupcakes

De todos os emails que eu recebo, a grande maioria vem com perguntas sobre esse bolinho que é a febre do momento: o cupcake. Ele é tão bonitinho e gostosinho, que até parece uma coisa difícil de fazer. Mas gente: NÃO É DIFÍCIL.

Primeiro de tudo: não existe uma receita específica de cupcake – ele nada mais é do que um bolo assado em forminhas de papel e coberto com o glacê ou cobertura da sua preferência. Existem receitas que se prestam mais a serem assadas em forminhas pequenas, ficam mais bonitas, mais redondinhas em cima, mais úmidas – mas de forma geral, a regra (pelo menos a minha) é usar uma receita de bolo gostosa e que você esteja acostumado a fazer.

Vamos agora dissecar um “espécime”? (*cara de cientista louca)

Este cupcake foi assassinado em nome da ciência.

Este bolinho eu fiz pra vocês: bolinho de baunilha, cobertura de buttercream de frutas vermelhas e recheio de geléia de frutas vermelhas. Mas poderia ser um bolinho de chocolate, com recheio e cobertura de brigadeiro. Ou até mesmo um bolinho de nozes, recheio de doce de leite e cobertura de marshmallow. Se você abrir seu caderno de receitas (ou o da sua mãe ou avó) aposto que vai encontrar todos os elementos que irão compor sua criação. Segue a minha receita:

Bolinho de baunilha (rende mais ou menos 15 cupcakes)

  • 1 1/2 xícara de farinha de trigo
  • 1/2 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • 100g de manteiga sem sal, em temperatura ambiente
  • 3/4 de xícara mais 2 colheres de sopa de açúcar
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 2 ovos
  • 3/4 xícara de leite

Material necessário:

  • forminhas de papel no. 0, ou especiais para cupcakes (eu uso da marca Mago)
  • Forma de metal especial para muffins, ou forminhas de metal para empada (tem que caber a forminha de papel dentro, sem ficar justo)
  • grade para esfriar os bolinhos (se não tiver, use o seu escorredor de pratos)

Preaqueça o seu forno a 180°. Coloque uma forminha de papel em cada cavidade da forma de muffins, ou nas forminhas de empada.

Numa tigela, peneire a farinha, fermento e sal. Reserve.

Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar até ficar claro e fofo. Junte a baunilha e os ovos, um de cada vez, batendo bem após cada adição.

Em velocidade baixa, junte a farinha em três adições, intercalando com o leite (termine com a farinha) e misture até ficar homogêneo. Não bata demais.

Com a ajuda de uma colher de sopa, encha as forminhas até 2/3 cheias. Assim, ó:

Leve ao forno por aproximadamente 20 minutos, ou até um palito sair seco quando espetado nos bolinhos. Assim que sair do forno, se possível, transfira os bolinhos para uma grade e deixe esfriar completamente antes de decorar.

Atenção:

  • Não espere os bolinhos dourarem por cima para tirar do forno. Como eles são pequeninos, a tendência é ressecarem e ficarem duros se assarem demais. Tire assim que passarem no teste do palito, mesmo se estiverem branquelos.
  • A minha forma de muffins é preta, e por isso eu fico muito atenta ao tempo de forno: formas escuras e de silicone podem superaquecer e queimar seus bolinhos.
  • Não deixe os cupcakes esfriarem dentro da forma – o vapor condensa nos bolinhos e as forminhas de papel podem se soltar depois.
  • Os cupcakes sem cobertura podem ser congelados – embale em plástico e em recipiente com tampa e guarde no freezer por até 3 meses.

Recheio

Para rechear meus cupcakes eu uso qualquer recheio cremoso e delicioso que eu estiver com vontade naquele dia.

Para fazer o buraquinho, eu deixo os bolinhos na geladeira por uma hora para ficarem mais firmes e uso o método do cone:

1. Com uma faquinha afiada, eu corto um cone no centro do bolinho e retiro o miolo, reservando só uma tampinha.

2. O recheio vai nesse buraquinho, com a ajuda de uma colher de chá.

3. Depois é só tampar.

Cobertura

A cobertura, pra mim, é o que faz o cupcake ter graça. E além de linda, ela tem que ser gostosa! Eu uso muito essa receita de buttercream de merengue, que é bem mais leve que o buttercream tradicional, e dá para variar o sabor da geléia, ou usar somente baunilha se quiser ela branquinha.

Outras opções de cobertura: marshmallow, brigadeiro, ganache de chocolate meio amargo – é só dar um Google!

Ela pode ser aplicada com uma espátula, mas eu acho que fica lindo com o bico de confeiteiro – o que eu mais uso é o bico 1M da Wilton:

Buttercream de Frutas vermelhas (adaptada do livro Martha Stewart’s Baking Handbook)

  • 3 claras
  • 2/3  xícara de açúcar
  • 200g manteiga em temperatura ambiente, cortada em pedaços de uma colher de sopa
  • 1 xícara de geléia de frutas vermelhas batida no processador, em temperatura ambiente (peneire se não quiser sementinhas)
  • corante rosa (opcional)

Numa tigela que possa ir ao banho-maria, misture as claras e o açúcar. Leve ao banho-maria, mexendo sempre, até o açúcar dissolver e a mistura ficar bem quente (se você tiver um termômetro, a temperatura é de 71°C). Bata as claras na batadeira até ficarem brancas e fofas, como marshmallow, e esfriarem completamente (leva mais de 10 minutos, então, paciência!). Não pode estar nem morninha, senão não dá certo.

Quando estiver tudo bem frio, com a batedeira ligada, comece a acrescentar os pedacinhos de manteiga, um a um, batendo bem para incorporar a cada adição. Se depois de juntar toda a manteiga a mistura separar ou parecer que “talhou”, continue batendo em velocidade alta, e a cobertura deverá emulsionar novamente. Bata até virar um creme espesso, uniforme e brilhante.

Junte a geléia e o corante e misture bem com uma espátula. Use imediatamente.

Agora, é só decorar – granulado colorido, açúcar cristal, raspas de chocolate, choco ball, um morango, figuras de pasta americana, tudo isso fica lindo.

Onde encontrar material para fazer seu cupcake em São Paulo:

Minha infância (que não tive) na fazenda – Bolo de aipim (ou mandioca)

Vocês não acham o máximo aquelas pessoas que passaram a infância na fazenda, ou no interior? E contam dos deliciosos doces de tacho, pamonhas feitas pelas tias, bolos de fubá e aipim que a avó fazia? E do inesquecível doce de leite feito no fogão de lenha, bem lentamente, que ficava com uma cor linda e um sabor inigualável?

Pois é, eu NÃO sou uma dessas pessoas, infelizmente. Nasci em São Paulo, fui criada na cidade grande, criança de apartamento que só viu galinha viva andando por aí quando foi pro sítio de amigos da família. E ficou HOR-RO-RI-ZA-DA em saber que aquela coisa fofinha e branca estava com o destino selado: seria degolada, o sangue removido e viraria galinha ao molho pardo. Totalmente Dexter.

Minha mãe, que era pessoa PHYNA, preparava doces gostosos, porém práticos, como convém à mulher moderna dos anos 60. Então doce de tacho era quando alguém trazia de viagem, doce de leite era leite condensado cozido na pressão e bolo de aipim… Nunca teve.

No meu imaginário acho que ficou essa lacuna da cozinheira cutucando lenha no fogão de barro e produzindo rústicas delícias em série, então de vez em quando eu encarno a Tia Nastácia e mando ver num doce bem brasileiro, com gostinho de fazenda.

Bolo de Aipim e Coco (adaptado do programa da NAMARIA Braga) – rende 1 bolo redondo de 25 cm

  • 4 ovos, gemas e claras separadas
  • 3 xícaras de açúcar
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 2 xícaras de mandioca (aipim) crua ralada no ralo grosso
  • 1 pitada de sal
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • 100g de coco fresco ralado (pode usar o seco também, de pacotinho)
  • 1 xícara de leite
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Preaqueça o forno a 180°. Unte com manteiga e polvilhe farinha de trigo numa assadeira redonda de 25cm.

Bata bem o açúcar e a manteiga, acrescente as gemas. Acrescente em seguida o coco ralado, a mandioca (aipim), a farinha de trigo e o fermento em pó dissolvido no leite. Bata mais um pouco e acrescente as claras batidas em neve.

Leve para assar por mais ou menos 40 minutos, ou até dourar e um palito sair seco quando espetado no centro do bolo. Deixe amornar e desenforme num prato de servir.

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