receitas de antigamente

Bolinho de Chuva

Não fiz muito bolinho de chuva, mas já comi muitas e muitas vezes – sempre feitos por mulheres muito queridas: minha mãe, minha avó Edwiges, minhas tias, a Palmirinha.

Os da minha avó são os que eu mais me lembro, já que ela me deixava ajudar a fazer. Não tinha receita, ia colocando as coisas no olhômetro. Ela não deixava a gente comer nenhum enquanto fritava, dizia que se comesse antes o óleo da panela iria secar, o que eu achava um absurdo, sem lógica e engraçado. Até hoje não sei se ela acreditava mesmo nisso ou se estava tentando enganar a gente.

Os bolinhos da minha avó saiam bem loucos, cheios de perninhas e rabinhos, eram bem macios e, às vezes, saiam com a massa crua no meio. Eu amava e achava incrível que ela sabia fazer bolinhos que já vinham recheados.

Nunca tentei fazer os bolinhos do jeito dela porque não iria conseguir – falta o principal ingrediente, afinal. Mas fiz esses aqui, com uma receita precisa, pra deixar pra minha filha fazer quando quiser lembrar de mim.

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Queijadinha (Rose)

Eu não sei quem é a Rose. Sei que ela passou essa receita pra minha mãe, que deve ter gostado muito porque anotou no nosso caderninho. Lembro te ter comido essa queijadinha quando era pequena, mas não foi feita muitas vezes, e também não estava junto no momento dessa preparação, o que acabou me criando um problema: a receita era só uma lista de ingredientes, sem nenhum instrução a não ser a palavra BATER antes deles.

Mas bater como? Batedeira? Liquidificador? à mão?

O resto (temperatura do forno, tamanho de forma) a gente adivinha fácil, mas e o resto?

A lista de ingredientes também levantou vários questionamentos: quantos gramas tinha um pacote de coco ralado nos anos 80? 100g? 50? Qual o tamanho da colher de sopa pra medir o queijo e a farinha?

Infelizmente jamais saberemos e aí utilizei a ciência menos valorizada no mundo da confeitaria: o chute.

Então está aqui uma tradução/ releitura da queijadinha da misteriosa Rose, que ficou simplesmente deliciosa ainda que seja só uma versão da que mamãe fez um dia. Espero que gostem e que também traga pra vocês memórias gostosas.

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Uma trovinha e um quindão

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Ó quindim

Porque és tão delicioso assim?

Quero um inteiro todinho pra mim

Mas o quê? Já acabou em um só minutim!

Não sei lidar com essa emoção.

A solução?

Um quindão.

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O quindão é mesmo a solução pra várias coisas da vida, seja resolver uma sobra grande de gemas, seja uma preguiça de untar forminhas pra fazer vários quindins, seja uma lombriga inquieta querendo um açuquinha.

Seja quindim, seja quindão (que nada mais é do que um quindim grandão) pra mim esse é o doce brasileiro mais gostoso de todos desde Pedro Álvares Cabral. E como todo doce antigo, não é necessariamente difícil de fazer porém tem seus rituais.

Nem sempre eu acredito na eficiência desses processos (ALERTA POLÊMICA: eu não aceito que seja a pele das gemas que deixa cheiro de ovo nos doces até que me tragam provas concretas e façam um teste cego) mas esse é um dos poucos casos em que eu respeito todas as mandingas da receita.

Quindão  (do caderno de receitas da família)

  • 1 coco fresco ralado ou 1 pacote de 100g de coco em flocos hidratado em meia xicara de água quente
  • 450g de açúcar refinado
  • 24g (2 colheres de sopa) de manteiga
  • 16 gemas
  • extrato de baunilha

Derreta a manteiga em uma panelinha em fogo baixo. Deite o coco ralado, o açúcar e a manteiga derretida numa tigela e misture bem com as mão até ficar uma mistura bem úmida.

Peneire as gemas sobre a mistura do coco, adicione algumas gotinhas do extrato de baunilha e misture bem, sem bater, até ficar bem homogêneo. Cubra e deixe descansar por uma hora.

Unte uma forma de furo no meio de 20cm de diâmetro com manteiga e polvilhe açúcar. Deite a massa na forma, cubra com papel alumínio e deixe descansar por mais uma hora.

Aqueça o forno a 200 graus. Prepare um banho-maria no forno, colocando uma assadeira grande com água quente na grade do meio. Coloque a forma dentro da água do banho-maria e deixe assar, coberto, por 1h30. Verifique de vez em quando a água e se estiver muito baixa complete com mais.

Tire o papel alumínio e deixe mais 30 minutos para dourar o coco. Retire do forno, deixe amornar e desenforme sobre um prato de servir.

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